Estudo sugere que anticorpos da dengue formam defesa contra o vírus da zika

Um novo estudo divulgado na revista Science revelou que pessoas que já foram diagnosticadas com dengue podem ter menos chances de contrair a infecção causada pelo vírus da zika. O estudo é um grande avanço sobre como o vírus da zika age no corpo, tendo sido liderado por Ernesto T. A. Marques, médico brasileiro que atua na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Nas notícias divulgadas, o médico brasileiro revelou sobre o estudo: “Em nosso estudo, vimos que pessoas com grande concentração de anticorpos contra o vírus da dengue também apresentam uma defesa em relação a infecção causada pelo vírus da zika. Comparado as pessoas que não tiveram dengue, os pacientes com altos níveis de anticorpos contra a doença tinham menos chances de serem infectadas pelo vírus da zika”.

O estudo é muito importante porque ele pode oferecer parâmetros para que os pesquisadores desenvolvam vacinas que possam prevenir o zika. De acordo com Marques, esse resultado indica que uma vacina contra a dengue poderia fornecer mesmo que de forma temporária uma proteção contro o vírus da zika. O resultado ainda proporciona uma perspectiva de prevenir a síndrome congênita do zika, mais conhecida como microcefalia.

Mesmo com os dados levantados pelo estudo, Marques salienta que é necessário provar todas as teorias para que o plano de prevenção seja colocado em prática. Se as teorias se mostraram reais, será possível se proteger do zika com uma simples vacina contra dengue.

Embora os anticorpos contra a dengue mostrem resistência contra do vírus da zika, as vacinas que existem atualmente só podem ser administradas em pessoas que já tiveram dengue. Ou seja, quem ainda nunca teve a doença não deve tomar a vacina contra dengue, o que vai contra a teoria do estudo que é a de imunizar principalmente as pessoas que nunca tiveram dengue, considerando que as pessoas que já tiveram dengue possuem alto nível de imunidade contra a doença.

Além desses dados, o estudo ainda revelou que a diminuição da epidemia do zika no Brasil só ocorreu porque um determinado número de pessoas desenvolveu imunidade capaz de interferir na eficiência da transmissão do vírus.

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