Arroz e feijão estão entre os alimentos mais disperdiçados no Brasil

Um estudo realizado a pedido do Diálogos Setoriais União Europeia – Brasil identificou que o arroz representa nada menos que 22% do total de alimentos que é descartado diariamente no país, enquanto o feijão caracteriza cerca de 16% desse total.

De acordo com o especialista em comportamento do consumidor e também analista da Embrapa, Gustavo Porpino, essas informações apenas reafirmam o que outros levantamentos de menor escala já tinham indicado antes. Tanto a Embrapa como a Fundação Getúlio Vargas participaram do desenvolvimento desse estudo.

Ao todo, os responsáveis pelo levantamento entrevistaram quase duas mil pessoas, nos quatro cantos do país. Uma das grandes surpresas foi o alto índice de desperdício de carne e frango, os quais representam 20% e 15% do total que é descartado, respectivamente. Segundo Gustavo Porpino, a porcentagem elevada surpreendeu pois esses alimentos são considerados caros. Apesar disso, o desperdício foi presenciado também por parte de pessoas que pertencem a classes sociais mais baixas.

Para o especialista, a melhor forma de evitar que isso continue ocorrendo é dando fim a chamada cultura da fartura e começar a calcular melhor a quantidade de alimento que precisa ser comprada. Além disso, Porpino também destaca que é essencial que os brasileiros aprendam a utilizar suas sobras de forma consciente.

Nesse aspecto, já existem notícias de iniciativas relevantes no país em combate ao desperdício. Entre elas, é impossível não mencionar o “Fruta Imperfeita”, que já atua em algumas regiões da capital de São Paulo, servindo como um meio de ligação entre os pequenos produtores do estado e o consumidor final.

De acordo com um dos idealizadores dessa iniciativa, Hugo Nomoto, o “Fruta Imperfeita” incentiva a compra de legumes, verduras e frutas que seriam descartadas pelas lojas e supermercados simplesmente por não se enquadrarem ao padrão estético estabelecido.

Às vezes, por ter um tamanho fora do padrão ou um formato diferente, o alimento já perde a chance de ser vendido de maneira convencional, ainda que na questão do sabor e da quantidade de nutrientes, ele esteja ideal. Com essa ponte criada entre produtores e clientes dispostos a adquirir esses alimentos por preços inferiores, a iniciativa já impediu que mais de 500 toneladas de comida fossem descartadas. No futuro próximo, o objetivo é expandir a atuação do projeto para outras partes do Brasil.

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