Macacos jogadores ajudam cientistas a entender o comportamento de alto risco

Macacos que aprenderam a jogar ajudaram os pesquisadores a identificar uma área chave do cérebro responsável por decisões arriscadas. As notícias sobre a descoberta, que aprofundam o conhecimento dos circuitos neurais subjacentes à preferência de risco em primatas e que podem levar a melhores tratamentos para comportamentos destrutivamente arriscados em humanos, foram publicadas no segundo semestre de 2018 na revista Current Biology em um elaborado estudo sobre o assunto.

“As pessoas acham que a atitude de risco é sempre a mesma para os indivíduos, mas os pesquisadores descobriram que isso não é verdade. Uma pessoa pode ser avessa a riscos em algumas coisas, mas inclinada a arriscar em outras, como, por exemplo, alguém que economiza muito dinheiro e pratica paraquedismo”, disse o co-autor do estudo, Veit Stuphorn, professor associado do Instituto Zanvyl Krieger Mind Brain, da Universidade Johns Hopkins. “A mudança na atitude de risco acontece no córtex pré-frontal de acordo com a descoberta, sendo essa área vista como muito importante para a criação de tratamentos”.

A equipe do Johns Hopkins treinou dois macacos rhesus para jogar contra um computador e ganharem água e suco conforme acertassem. Acontece que os dois macacos eram naturalmente grandes apostadores dispostos a correr riscos, preferindo consistentemente apostas contra as probabilidades e pagamentos potencialmente altos.

Por exemplo, quando ofereceram aos macacos a chance de escolher entre 20% de chance de obter 10 mililitros e 80% de chances para obterem apenas 3 mililitros, eles optaram pela aposta com maior retorno, disse Chen. Mesmo quando não estavam mais com sede, os macacos ainda optaram por apostas arriscadas porque pareciam gostar da empolgação de uma vitória.

“Os macacos deveriam escolher racionalmente os 3 mililitros, mas sempre optam pela opção mais arriscada”, disse Chen. “Eles são como pessoas que gostam de ir em Las Vegas para jogar nos caça-níqueis, onde há uma recompensa muito alta, mas uma chance muito baixa de ganhar.”

Quando os pesquisadores suprimiram a área chave do cérebro ao desativá-la temporariamente, no entanto, o jogo de alto risco quase desapareceu. De repente, os macacos passaram a apostar de 30 a 40% a menos em apostas arriscadas.

“Isso foi realmente inesperado, para encontrar uma seção do cérebro tão especificamente ligada à atitude de risco”, disse Stuphorn. “A preferência do macaco mudou significativamente com a experiência”.

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