Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco, fala sobre a reforma previdenciária

Devido ao número insuficiente de votos e a suspensão temporária das atividades parlamentares originadas pelas festas de final de ano, a votação da reforma previdenciária ficará para a segunda quinzena de fevereiro do próximo ano.

Em entrevista, Luiz Carlos Trabuco Cappi, o atual presidente executivo do banco Bradesco, expressou seu ponto de vista em relação à reforma da Previdência prevista para 2018 e o cenário econômico brasileiro.

Em sua opinião esta restruturação previdenciária pode ser vista como uma “mãe” de todas as demais reformas estruturais do País. Para ele, que também vem ocupando a presidência do conselho administrativo da instituição financeira, Michel Temer possui capital político suficiente para definir uma agenda favorável às alterações elaboradas na proposta.

Contando com a hipótese da reforma não ser aprovada ainda neste atual governo, quando questionado sobre acreditar ou não na possibilidade da mesma passar pela legitimação do próximo candidato eleito, o banqueiro revelou que em sua ótica acha que a reforma é necessária e “impulsionadora” sendo mais relevante do que a própria eleição. Isto é, diante da importância do conteúdo da nova reforma, é conveniente que a aprovação ocorra independente do candidato.

Luiz Carlos Trabuco Cappi considerou que as estimativas de crescimento para o ano de 2018 já foram estabelecias. Segundo o dirigente do banco, como o nosso sistema previdenciário está fundamentado sob um “pacto de gerações”, caso não haja a reforma será inevitável o surgimento de um “conflito de gerações”. Com relação aos resultados oriundos da reforma, Trabuco diz que serão percebidos em médio prazo. Já no curto prazo, a medida marcará um “comprometimento com os gastos públicos, refletindo imediatamente no valor dos ativos”.

O presidente do Bradesco comentou que a profunda recessão sofrida pelos brasileiros ao longo dos anos está, aos poucos, sendo recuperada. Ele afirma que “crédito para reperfilar dívidas está ficando para trás. Linha de capital de giro não crescia há dois anos e começou a voltar neste trimestre”. Isto é um indicativo de que “o pior ficou para trás”.

Quanto aos investimentos, Luiz Carlos Trabuco Cappi disse que as aberturas de capital que aconteceram recentemente por parte de algumas empresas caracterizam um bom sinal de retomada. O fato do País ser considerado um campo promissor nesta área favorece o desejo dos investidores que “estão com o dedo no gatilho para investir”, como revelam vários indicadores.

Ainda com relação à aplicação de capitais, na visão de Luiz Carlos Trabuco Cappi, são as expectativas que estão inibindo os investidores de “apertar o gatilho”. Para ele, o portfólio de infraestrutura que o País apresenta atrai investidores, porém o processo eleitoral e as propostas de reformas a serem aprovadas no Congresso são fatores que intimidam a ação dos interessados.

Em se tratando da reforma tributária, Luiz Carlos Trabuco Cappi justificou dizendo que o empresário brasileiro é a favor da renovação para simplificar o complexo sistema tributário e não para reduzir os gastos com impostos. Entretanto, revela que “não contar com aumento da carga tributária e simplificar, é uma coisa desejável”.

 

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