Uma nova espécie é catalogada apenas 20 anos depois de ser coletada

Há 20 anos, uma pesquisadora chamada de Ilse Walker estava realizando uma pesquisa na Amazônia e por acaso se deparou com poças quase secas do igapó do Rio Tarumá-mirim, e nelas continha um peixe diferente. No entanto, apenas recentemente, o INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, chegou à conclusão que esse peixe se tratava de uma espécie ainda não catalogada, que foi nomeada de Tarumania Walkerae, para homenagear a pesquisadora, que já se aposentou há alguns anos.

Walker já possui 87 anos e conta que o peixe era cartilaginoso, diferente das demais espécies que são ósseas, apesar disso ele tinha escamas. Ela conta que acha incrível descobrir hoje que se tratava de uma nova espécie. Algo curioso em seu relato foi que ela coletou o peixe por acaso, pois estava retirando camarões no rio do Amazonas. Por sorte, ela se deu conta do animal peculiar e o entregou para ser analisado por outros pesquisadores. Essa descoberta foi noticiada há pouco tempo na revista Zoological Journal of the Limmean Society.

De acordo com Jansen Zuanon, uma das pesquisadoras do INCA que trabalhou na identificação dessa nova espécie, ela disse que esse peixe é muito distinto do grupo dos Chaciformes e é composto por quase toda totalidade dos peixes de escama da Amazônia. . “Eles são completamente aberrantes dentro desse grupo e, por isso mesmo, tivemos que descrever uma família nova para acomodar essa espécie”, comentou a pesquisadora, dizendo ainda que o que mais chamou a sua atenção foi o formato do corpo.

Eduardo Bessa que é zoólogo e docente numa universidade em Brasília, explicou que o animal esta muito distante do piracururu e mais próximo da traíra. Segundo ele, por isso foi tão difícil caracteriza-lo, pois é muito diferente dos demais Characiformes. Ele ressalta que o fato dele ser tão distinto o leva a crer que a evolução da tarumania é mais abrangente do que é imaginado. Jansem disse que localizar uma nova espécie de peixes é algo muito raro. “Isso acontece uma vez a cada muitas décadas, às vezes, a cada século”, em entrevista à agência de comunicação do Inpa.

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