Cientistas identificaram marcas misteriosas deixadas por canibais em ossos

O canibalismo cometido entre os humanos da idade antiga já foi comprovado por cientistas através de provas significativas. Diversos ossos que foram encontrados em diferentes regiões do mundo com ranhuras são provas de que os humanos comiam uns aos outros. No entanto, um osso encontrado no Reino Unido tem intrigado os pesquisadores com ranhuras em formatos de ziguezague. A especulação em cima disso é de que as marcas deixadas pelos canibais façam parte de uma espécie de ritual antigo.

O osso analisado pelo estudo corresponde ao antebraço de um humano pré-histórico. Segundo as observações dos pesquisadores, o antebraço teria sido desarticulado do corpo, através de cortes em filetes e posteriormente mastigado por um canibal. Apesar de todas essas características serem bastante comuns em outros ossos analisados, a curiosidade está nas marcas em ziguezague que não correspondem a nenhum tipo de dano ocasionado pela ação do canibalismo.

A prática de canibalismo na caverna no Reino Unido – mais especificamente em Gough, região em que fica Somerset – já havia sido identificada pelos pesquisadores há algum tempo. Os cientistas revelaram que a descoberta foi de traços desconhecidos que foram realizados após o consumo da carne.

A suposição é de que as marcas encontradas façam parte de um ritual ou de algum outro aspecto simbólico. Além de ter sido encontrada no osso analisado, as marcas misteriosas também foram vistas em outros objetos que correspondem ao mesmo período, o que indica uma ritualização do acontecimento.

A comprovação científica dos pesquisadores que foi publicada na revista Plos One, é de que as marcas foram realizadas de forma intencional. Sendo assim, as marcas encontradas no antebraço – mais especificamente no osso rádio – não correspondem as marcas que são feitas pela carnificina ou pelos dentes dos canibais.

A estudiosa do Museu de História Natural de Londres, Silvia Bello, revelou: “As marcas cravadas no osso da caverna de Gough são semelhantes as gravuras observadas em outros locais de cultura Magdalenian do período Paleolítico da Europa. O que é inusitado neste caso é a escolha da matéria-prima, que foi o osso humano, e o contexto canibal em que foi produzido”.

Silvia Bello ainda acrescentou dizendo: “A sequência de alterações realizadas neste osso sugere que se trata de um componente premeditado da prática canibal, rica em conotações simbólicas. Embora em análises anteriores a gente pudesse sugerir que o canibalismo na caverna de Gough tinha sido praticado como um ritual simbólico, este estudo fornece uma evidência ainda mais forte”.

 

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